domingo, 23 de dezembro de 2007

O triunfo dos porcos

“São perigosos estes tempos em que a sociedade está dominada por normalizadores totalitários”. - Francisco J. Marques (JN de hoje)


Dou-vos um exemplo do que é o politicamente correcto: neste post, o bloguista defende a adopção de crianças por duplas de gays em nome da “diversidade”; nestoutro, publicado no mesmo dia, o bloguista defende a “justiça” da proibição do tabaco em todos os restaurantes, sem excepção, em nome da “igualdade” para todos. Num caso, a “diversidade é imprescindível”; noutro, já não faz falta. No primeiro caso, a defesa fundamentalista da “igualdade na diversidade”; no segundo caso, a aberração totalitária que coarcta a liberdade aos cidadãos de decidir o que fazer na sua vida privada (os restaurantes também são propriedade privada). Esta gente é perigosa porque não pensa, e quem não pensa só se prejudica a si e aos outros.

O tabaco faz mal à saúde? Faz sim senhor. Mas levar no cu também faz mal e não vejo quem se queixe por aí das hemorróidas, ou quem dê conselhos contrários ao politicamente correcto. A lógica é esta: se levas no cu “à la gardaire”, o problema é teu e ninguém tem nada a ver com o assunto (mesmo que propagues a SIDA), e até convém à causa da “blasfémia religiosa”; se fumas, o assunto é diferente, porque a distribuição do tabaco é dominada pelas multinacionais. Levar no cu dá saúde e faz crescer; já fumar faz mal. Ainda hei-de ver um certo actor apanascado, que faz propaganda anti-tabágica em outdoors, a dar o badagaio por causa da SIDA – e se bem calhar, o Socas vai por arrasto…

A lei portuguesa é ainda mais fundamentalista que a espanhola. Em Espanha, cabe ao proprietário de um estabelecimento comercial definir se na sua casa se fuma ou não. Se não és fumador, há um restaurante ao lado para não-fumadores, e não tens que impor o teu fundamentalismo taliban a ninguém.

Em Portugal, este governo politicamente correcto impõe ao cidadão o que ele deve ou não fazer na sua vida privada – excepto a possibilidade de levar no cu sem limitações; para os paneleiros, este governo não decreta restrições.

Esta lei seria justa e igual para todos se desse a liberdade aos donos dos estabelecimentos de decidir o que se passa em suas casas. Um restaurante de não-fumadores colocaria o respectivo dístico à entrada, e o mesmo aconteceria com os restaurantes para fumadores – como acontece em Espanha. O que não é aceitável é que a “igualdade” seja só para uma parte da população.

Estamos em pleno totalitarismo, e esses senhores da política correcta terão a resposta a seu tempo. É preciso ter paciência e esperar. José Sócrates não vai estar no poleiro toda a vida, e não vai sair incólume de tudo o que de negativo fez neste país, em matéria de liberdades e garantias de cidadania. O que é preciso é memória de elefante.

O jornalista Francisco J. Marques publica no “Jornal de Notícias” de hoje um artigo de fundo com o título “O triunfo dos taliban”, em que escreve:

O Sr. António trabalha nas minas de Aljustrel há 35 anos, tem os pulmões afectados pela silicose, fruto dos turnos de oito horas que faz há uma vida, única forma que o país lhe proporcionou de assegurar a própria subsistência e dos seus. O legislador, esse ser sem rosto e com cérebro de taliban, nunca se preocupou com a saúde do Sr. António e de todos os seus companheiros de trabalho. Mas eis que o legislador taliban surge impante a dizer que o menino Pedrinho, que serve copos no bar da moda, não pode trabalhar em turnos superiores a duas horas e meia, porque os meus/nossos cigarros lhe destroem a saúde. Ganhem juízo e vergonha. Antes de terem a lata, porque é disso que se trata, de escreverem leis assim, protejam os mineiros, os metalúrgicos e trabalhadores da industria química e todos os outros que inalam substâncias muito mais perigosas do que o fumo dos cigarros. Ponham-nos em turnos de duas horas e meia, já!


Eu diria mais: puta que os pariu e mais o fundamentalismo correcto! Não passa pela cabeça de ninguém, senão dos filhos-da-puta que estão no governo, que um presidiário não possa fumar na prisão mas possa injectar-se com heroína e com apoio financeiro do Estado. Puta que os pariu! A nossa paciência tem limites!

Desde já, os restaurantes sem licença para fumar não levam o meu dinheiro, posso garantir com certeza. Para fundamentalistas, fundamentalista e meio: antes quebrar que torcer. E se todos fizerem como eu, o Director-Geral de Saúde vai-se demitir e a lei será revista e adaptada à lei espanhola, para gáudio de todos nós, sem excepção. O Sr. George provavelmente não fuma, mas as suas marcas no rosto e o seu faladrar arrastado denotam as bebedeiras que apanha todos os dias. E a gente que ature as bebedeiras endémicas do Sr. George e a cambada de paneleiros que está no governo.

2 comentários:

H. Sousa disse...

Mineiros e não só! Qualquer soprador de vidro da Marinha Grande tem uma esperança de vida reduzida a metade da média, os fumos dos escapes (diesel principalmente) são muito venenosos, etc.. Mas dá-lhes mais prazer vexar o fulano que mostra pouco apego à sua saúde porque ele é exemplo daquilo que eles não querem que as pessoas em geral sejam: precisam da paranóia das gentes que temem o cancro e o aquecimento global e o fumo do tabaco. Precisam de gente que acredita num mundo higienizado onde não se morre, o mundo do super-homem de Nietzsche.

O Raio disse...

Até ao fim do ano passado qualquer restaurante, bar ou discoteca tinha a liberdade de afixar um letreiro proibindo o fumo nas suas instalações.
Curiosamente não o faziam. Mas tinham a liberdade de o fazer.
Agora não, agora todos são obrigados a fazê-lo. A liberdade morreu definitivamente.

Já agora, que país é que fez a primeira campanha sistemática anti-tabágica (embora mais liberal do que a actual). Foi o mesmo país que inventou o conceito de fumo passivo (passivrauchen no original).

Não sabem? Simples, foi a Alemanha hitleriana!

E o que aconteceu a primeiro europeu visto a fumar na rua, mais precisamente numa rua de Sevilha?

Não sabem? Simples, foi preso pela Santa Inquisição e passou sete anos nas suas masmorras...